Coisas que só é possível saber quando se tem filhos

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Ser mãe é maravilhoso e difícil ao mesmo tempo. Os sentimentos de preocupação em relação a seu filho não acabam nem quando ele fica adulto.

No Me Apaixonei nos emocionamos ao ler os textos da escritora Narine Abgaryan sobre o que as mães sentem quando escutam: “no momento, o número chamado encontra-se desligado ou fora da área de cobertura”.

Telefona da escola.
— Mãe, terminou, vou para casa.
Da escola até em casa são 30 minutos. Passa uma hora e meia. Nada. Eu ligo.
— Sim!
No fundo ouço ruídos, palavras rudes, gritos…
— Onde você está?
— Eu volto logo, espere por mim.
E desliga o telefone.
Eu ligo. “No momento, o número chamado encontra-se desligado ou fora da área de cobertura”.

Mãe, quanto tempo você precisa para chegar a esse estado em que surge um nó na garganta e tudo cai de suas mãos?

No meu caso são apenas 10 segundos. Talvez um pouco mais.
Depois, minha imaginação começa a pintar quadros selvagens: ele se meteu numa briga. Foi atacado, roubado. Algo terrível aconteceu. Algo irreparável.

Vestir-se. Correr? Para onde? Seguindo a rota de seu ônibus. Procurar as entradas ou os edifícios ao redor. Ligar para o seu professor. Não, primeiro para a polícia. Não, a um amigo da família, que é chefe da polícia local. Que rastreiem o sinal de seu telefone. Você consegue rastrear o celular, se estiver desligado?
Olhando para as entradas do edifício. São duas, você vai correndo de uma sala para outra. Ao mesmo tempo, volta a ligar. Outra vez. “No momento, o número chamado encontra-se desligado ou fora da área de cobertura”.
Passam-se mais 20 minutos de espera tensa.

Você veste uma calça. A jaqueta. Você já tem o passaporte. Você percorre toda a casa procurando o celular. Coloca tudo de cabeça para baixo. É como se o tivessem sequestrado. Você tira o cobertor da cama. Observa que algo a incomoda, revira os travesseiros. Mas é o celular! Todo esse tempo você o teve em suas mãos!

Joga com força o cobertor. Não chore. Apenas não chore. Esta manhã gritei com ele porque não arrumou a cama. Não arrumou a cama? MAS O QUE IMPORTA A CAMA, CHATA! Nunca, nunca, nunca mais vou repreendê-lo. Meu filho. Meu querido filho.

O telefone toca.
— Quem é?
— O grupo especial de resgate a saúda!
— Onde você estava, moleque?
— Mãe, abra, pois nós estamos esperando. O grupo especial se rende.

Solta o casaco. Vai abrir a porta.
— Eu mato você! — Você lhe promete com uma firmeza tenebrosa.
Sai do elevador. Um poste de dois metros de altura. A mochila pesada nas costas. O bolso da jaqueta tem algo suspeito.

— Onde estava? — Diz, soltando fogo pelas ventas, como um dragão.
— Mãe, eu decidi ficar mais uma hora para a aula de História.
— Por que você não me avisou?
— Bom, descobri no último minuto. Não deu tempo. E, quando eu percebi, já tinha ia começar.
— E você não podia me enviar uma mensagem? Para que eu não me preocupasse.
— Mãe, você sabe que não posso usar o celular durante a aula!
— Mas você ligou. Eu ouvi gritos, brigas e vozes!
— Mãe, tinha um bando de embriagados brigando perto do ponto de ônibus. Eu queria lhe dizer alguma coisa, mas a bateria do telefone acabou.

Você precisa de ar.
— É para você. (Ele tira do bolso um chocolate. Um sorriso de orelha a orelha.)
Meu sorriso. Ele herdou de mim e do meu pai.

Cerca de três anos atrás, tínhamos pouco dinheiro, ele saiu para passear com seus amigos com dois dólares no bolso. E voltou com uma barra de chocolate. Não sei como conseguia economizar. Mas sempre vinha com uma. E me dava assim que chegava.
— Mãe, é para você.

É para mim, sim. De você, para mim, é meu.
Isso é para toda a vida. Por toda a minha abençoada vida iluminada pela felicidade da maternidade.

Só gostaria que minha imaginação deixasse de pintar esses quadros selvagens.

Íncrível

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